Mais uma tarde gelada, talvez como as outras não costumo perceber isso, mas muito fria. Como de costume eu to socado no meu quarto sentado na cadeira, ouvindo alguma coisa tão alta nos “meus” fones que poderiam explodir minha casa que eu não ouviria, meu irmão ta jogando aquele jogo de matar marreco do family e falando compulsivamente (ele não sabe o significado da palavra silencio), mas logo ele vai para a escola e eu fico em paz. Neste momento eu não tenho nada, minhas esperanças se foram, minhas oportunidades também, meu melhor amigo ta onde eu queria (e deveria) estar e eu estou aqui, congelando e escrevendo pra quase ninguém ler no meu nada visitado blog.
Sentado nessa cadeira foi que passou quase toda minha vida, este quarto é o único lugar que hoje eu considero meu lar, é como se fosse minha casa sem banheiro, é o lugar de uma parte das minhas lembranças mais feliz. Quando eu entrei de férias, e voltei pra Santa Vitória, ao entrar no meu quarto eu senti algo diferente, não no lugar, ou nos moveis, mas como uma presença, eu senti todas as minhas memórias voltarem, tudo o que eu vivi aqui e as coisas que saíram daqui. Na boa eu quase chorei, foi uma mistura de tudo que eu já passei num lance só.
Hoje mais uma vez eu estou aqui, já não tenho nada do que tinha, já não penso o que costumava pensar e nem faço as mesmas coisas, evolui minha mente, mas perdi tudo que me fazia o Luccas de verdade. Daqui algumas semanas eu vou deixar esse lugar “inabitado” e voltar pra minha “falsa feliz prisão”, pra minha liberdade suprimida e enganosa, onde eu não posso fazer nada do que quero, onde eu não vou estar com as pessoas que quero e minhas memórias vão fazer o caminho contrario: ao invés de me deixarem feliz (mesmo quando são as tristes), vão me fazer ver o nada que estou sendo, vivendo por nada, sem fazer nada. A diferença é que aqui neste quarto eu também penso nisso, porque essa crise existencial continua me cercando, mas aqui, as minhas lembranças me fazem bem, como se
mesmo eu estando sozinho eu me sentisse bem daquele jeito.
Todos os dias eu olho pra minha vida e odeio o que vejo, agradeço por não viver por mim, por me ferrar pra salvar os outros, afinal eu sempre gostei de ser herói, agradeço mais uma vez por ser como eu sou e busco melhorar cada vez mais, luto ansioso pela volta da minha felicidade, mas como sempre vivo minha vida Kamikaze, destruindo tudo de ruim na minha frente e sentindo um prazer imenso nessas feridas que cortam a minha alma!
*Dai você se pergunta: Porque boneco de neve? Se ele não falou sobre o frio, nem sobre o Natal ou coisas das quais as pessoas pensam quando ouvem essa frase? Sinceramente? Não sei, mas me pareceu um título bem interessante! =D
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